terça-feira, 14 de outubro de 2025

SOCIEDADE E A PATOLOGIZAÇÃO DO VIVER.

Sociedade Medicada e a Patologização da Vida Cotidiana
Quando sentir vira sintoma e viver exige rótulo

Por Dra. Emanoele Freitas
neuropsicopatologista especialista em saúde mental e neurodesenvolvimento 
Medicina integrativa ortomolecular. 

A era dos diagnósticos velozes

Vivemos em uma era em que nunca se falou tanto em saúde mental — e nunca se diagnosticou tanto, nem tão rápido. Em plataformas como o TikTok, hashtags como #saúdemental e #autocuidado ultrapassam os 3 bilhões de visualizações. Vídeos sobre TDAH, burnout, ansiedade e depressão circulam como desabafos, tutoriais e identificações coletivas. 
A dor psíquica se tornou conteúdo. E o diagnóstico, identidade.

A medicalização da sociedade não é nova, mas tomou um ritmo alarmante. Emoções naturais da existência — tristeza, frustração, luto, insegurança — passaram a ser entendidas como sintomas clínicos que precisam de nome, tratamento e, muitas vezes, medicamentos. O que antes era chamado de sofrimento humano agora é rapidamente convertido em um transtorno mental.

Quando o diagnóstico vira pertencimento

A patologização da vida cotidiana se revela sutil: começa com uma busca por respostas e termina com a sensação de que é preciso ter um rótulo para ser compreendido. 
Para muitos, ser diagnosticado é encontrar sentido, pertencimento, acolhimento. 
O transtorno, que antes era estigma, hoje representa alívio: finalmente existe uma explicação para a dor.

Mas há um risco. Ao transformar o diagnóstico em identidade, corremos o perigo de reduzir a complexidade humana a categorias clínicas. 
A ansiedade de viver em um mundo acelerado, hiperconectado e produtivista é compreensível — mas será que toda angústia precisa de um CID?

O remédio como ferramenta de adaptação

Nunca se consumiram tantos psicofármacos. 
Ansiedade, insônia, irritabilidade, desatenção — tudo tem uma pílula. 
Em vez de transformar o mundo, anestesiamos o sujeito. 
O remédio, que deveria ser um suporte temporário, se torna uma ferramenta de adaptação emocional à lógica do desempenho, da exaustão e da positividade tóxica.

Essa cultura da medicalização transfere o problema para o indivíduo. Se você não produz, é porque tem TDAH. Se você não suporta seu trabalho, é burnout. Se você sofre com o caos da vida moderna, é transtorno de ansiedade generalizada. E assim, patologizamos o normal — e normalizamos o adoecimento.

Diagnóstico sim, mas com responsabilidade

Não se trata de negar os transtornos mentais ou criticar o avanço do diagnóstico. Muito pelo contrário: reconhecer a dor e dar nome a ela pode salvar vidas, mas é urgente refletir sobre o quanto estamos medicalizando a existência e transformando experiências humanas legítimas em doenças.

“Temos confundido transtorno com traço de personalidade…
E, mais grave: com má educação.”

Já vivenciei muitos casos de uso indevido de termos clínicos e "pseudos" transtornos/diagnóstico (equivocado) para justificar grosserias e irresponsabilidades.
Também já ouvi muitos usando frases como “sou assim porque sou autista” — quando não há diagnóstico algum e em muitos casos diagnóstico que não passaram por nenhum critério do DSM-5 ou do CID11 e pelos protocolos e exames para confirmar, diagnóstico dado somente na queixa da pessoa com relação a sua necessidade de "entender" seu comportamento e justificar para a sociedade ou a si mesmo. 

Isso desrespeita quem realmente convive com as dificuldades e limitações que muitos transtornos trazem para a vida da pessoa. 

Precisamos separar o que é uma condição clínica do que é um comportamento aprendido ou uma atitude evitável.

É preciso um olhar mais cuidadoso, mais lento, mais humano. 
O sofrimento psíquico nem sempre precisa de um remédio. 
Às vezes, precisa de escuta. De vínculos. De pausa. De reumanizar a saúde mental.

Sentir não é patológico.
E viver não deveria exigir um laudo.

www.okemhealth.com 
@draemanoelefreitas 
Tiktok @emanoelefreitas2 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Suplementação de Vitamina B6 na Ansiedade (novos estudos).

As vitaminas do complexo B desempenham um papel integral em um grande número de processos celulares anabólicos e catabólicos essenciais para o sistema nervoso e a função cerebral, incluindo manutenção do equilíbrio adequado entre inibição neural e excitação, regulando positivamente a inibição e negativamente a excitação. Este é um papel importante porque um equilíbrio muito deslocado em direção à excitação tem sido implicado em vários distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo ansiedade e depressão. Nesse contexto, foi proposto que a suplementação de vitamina B em altas doses pode ser uma estratégia eficaz para aumentar os efeitos comportamentais observáveis da inibição neural e amortecer a excitação neural excessiva.

Em um estudo prévio, pesquisadores suplementaram alguns indivíduos com um produto rico em vitamina B ou um controle e mediram os potenciais evocados visuais de estado estacionário (SSVEPs), enquanto os participantes visualizaram estímulos visuais projetados para ativar os mecanismos excitatórios e inibitórios no córtex visual. Eles descobriram que as amplitudes SSVEP foram reduzidas após a suplementação, implicando em um aumento na inibição neural e/ou uma redução na excitação no córtex visual. De acordo com os pesquisadores, a vitamina B6 atua como uma coenzima na síntese do neurotransmissor inibitório GABA a partir do glutamato, o que explicou tais resultados.

Além de seu papel como coenzima na conversão do glutamato excitatório em GABA inibitório, a vitamina B6 está envolvida em várias outras vias que provavelmente reduzem a excitação neural:

® Está envolvida na produção de outros neurotransmissores, como serotonina, dopamina e noradrenalina;

® Atua como cofator na via da quinurenina na qual reduz a quantidade de ácido quinolínico, que é um agonista do receptor NMDA excitatório;

® Age no ciclo da homocisteína-cisteína, reduzindo os níveis de homocisteína, um agonista do receptor NMDA, e também fornece cisteína ao ciclo da glutationa, reduzindo os níveis do neurotransmissor excitatório glutamato, convertendo-o em glutationa.


ESTUDO

Este estudo duplo-cego investigou os efeitos da suplementação por um mês de uma alta dose de B6 ou B12, em comparação com o placebo, em uma série de medidas de resultados comportamentais conectadas ao equilíbrio entre inibição neural e excitação (FIELD; CRACKNELL; EASTWOOD; SCARFE et al., 2022).

Resultados:

ü A suplementação de vitamina B6 reduziu a ansiedade autorreferida e induziu uma tendência à redução da depressão, bem como aumentou a supressão da detecção de contraste visual, mas não influenciou de forma confiável as outras medidas de resultado;

ü A suplementação de vitamina B12 produziu tendências para mudanças na ansiedade e no processamento visual.

Conclusão:

Esses resultados sugerem que a suplementação de vitamina B6 em altas doses atua nos resultados comportamentais, como ansiedade autorrelatada, na qual aumenta as influências neurais GABAérgicas inibitórias, o que é consistente com seu papel conhecido na síntese de GABA.


FIELD, D. T.; CRACKNELL, R. O.; EASTWOOD, J. R.; SCARFE, P. et al. High-dose Vitamin B6 supplementation reduces anxiety and strengthens visual surround suppression. Hum Psychopharmacol, 37, n. 6, p. e2852, Nov 2022.

Fonte: hinutrition 
 

quinta-feira, 20 de março de 2025

A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA INFANTIL COMEÇA ANTES DO QUE SE PENSAVA.

Resumo: Uma nova pesquisa desafia a ideia de que bebês não conseguem formar memórias, mostrando que bebês de até 12 meses de idade podem codificar experiências. 
Usando exames de fMRI, os pesquisadores descobriram que o hipocampo, uma região do cérebro crítica para a memória, fica ativo em bebês durante uma tarefa de memória.

Essas descobertas sugerem que a amnésia infantil — a incapacidade de lembrar da primeira infância — pode ser devido a falhas de recuperação em vez de uma incapacidade de formar memórias. Embora os humanos não consigam se lembrar de eventos de seus primeiros anos de vida, as evidências mostram que as memórias iniciais podem persistir, mas permanecem inacessíveis.

Principais fatos:

✅️ Formação inicial da memória: bebês de até 12 meses podem codificar experiências individuais.
✅️ Amnésia infantil Causa: Falhas na recuperação da memória, não na formação da memória, podem explicar a amnésia na primeira infância.
✅️ Ativação do hipocampo: exames de fMRI confirmam que o hipocampo está ativo durante tarefas de memória infantil.

Fonte: AAAS

Desafiando suposições sobre a memória infantil, um novo estudo de ressonância magnética funcional (fMRI) mostra que bebês de até 12 meses de idade podem codificar memórias, relatam pesquisadores.

As descobertas sugerem que a amnésia infantil — a incapacidade de lembrar dos primeiros anos de vida — é mais provavelmente causada por falhas na recuperação da memória do que pela incapacidade de formar memórias em primeiro lugar.

As descobertas mostram que o hipocampo infantil tem a capacidade de codificar memórias de experiências individuais começando por volta de 1 ano de idade, fornecendo evidências de que a capacidade de formar memórias individuais se desenvolve durante a infância. Crédito: Neuroscience News
Apesar da infância ser um período de aprendizado rápido, as memórias dessa época não persistem na infância posterior ou na idade adulta. Em geral, os humanos não conseguem se lembrar de eventos dos três primeiros anos de vida – um fenômeno conhecido como amnésia infantil.

Por que humanos adultos têm um ponto cego de anos em sua memória episódica para o período da infância continua sendo um enigma. Uma teoria sugere que isso ocorre porque o hipocampo, uma região do cérebro crucial para a memória episódica, não está totalmente desenvolvido durante a infância.

No entanto, pesquisas em roedores desafiam essa ideia, mostrando que traços de memória, ou engramas, são formados no hipocampo infantil, mas se tornam inacessíveis ao longo do tempo. Em humanos, os bebês demonstram memória por meio de comportamentos como respostas condicionadas, imitação e reconhecimento de estímulos familiares.

No entanto, se essas habilidades dependem do hipocampo ou de outras estruturas cerebrais ainda não está claro. Em um estudo usando fMRI para escanear os cérebros de bebês de ~4 a 25 meses enquanto realizavam uma tarefa de memória, Tristan Yates e colegas tiveram como objetivo determinar se o hipocampo em bebês pode codificar memórias individuais.

A tarefa de memória, adaptada de um método bem estabelecido para adultos, envolvia mostrar imagens para bebês – rostos, cenas e objetos – seguido por um teste de memória baseado em olhar preferencial, tudo isso enquanto eram submetidos a neuroimagem.
As descobertas mostram que o hipocampo infantil tem a capacidade de codificar memórias de experiências individuais a partir de cerca de 1 ano de idade, fornecendo evidências de que a capacidade de formar memórias individuais se desenvolve durante a infância.

Segundo os autores, a presença de mecanismos de codificação para memória episódica durante a infância – apesar de sua natureza efêmera – sugere que a amnésia infantil é mais provavelmente devida a falhas nos mecanismos de recuperação da memória.

Esses insights estão alinhados com estudos recentes em roedores, que demonstram que as memórias criadas durante a infância podem persistir na idade adulta, mas permanecem inacessíveis para recuperação sem estimulação direta de engramas hipocampais ou sinais de lembrete, observam os autores.

Sobre esta notícia sobre pesquisa de memória e neurodesenvolvimento

Autor: Science Press Package Team
Fonte: AAAS
Contato: Science Press Package Team – AAAS
Imagem: A imagem é creditada ao Neuroscience News

quinta-feira, 13 de março de 2025

ORTOMOLECULAR E AUTISMO: COMO A NUTRIÇÃO PODE FAZER A DIFERENCA?

A abordagem ortomolecular no TEA (Transtorno do Espectro Autista) busca equilibrar o organismo por meio da nutrição e suplementação, ajudando a reduzir inflamações, melhorar a função cerebral e fortalecer o sistema digestivo, que está diretamente ligado ao comportamento e ao bem-estar da pessoa autista.

✅ Como a Ortomolecular Pode Ajudar?
🔹 Reduz a inflamação intestinal e melhora a absorção de nutrientes
🔹 Apoia a produção de neurotransmissores essenciais para regulação emocional
🔹 Diminui o estresse oxidativo, comum no TEA
🔹 Fortalece a microbiota intestinal, fundamental para o equilíbrio neurológico

🍎 Alimentos aliados no TEA:
✔ 🐟 Peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha) – Melhoram a comunicação neuronal
✔ 🌿 Cúrcuma – Reduz inflamações e apoia a função cognitiva
✔ 🥦 Vegetais verde-escuros (espinafre, couve) – Ricos em magnésio, auxiliam na regulação emocional
✔ 🥛 Probióticos naturais (kefir, iogurte natural) – Equilibram a flora intestinal
✔ 🎃 Sementes de abóbora – Fonte de zinco, essencial para a neuroplasticidade
✔ 🍓 Frutas vermelhas – Potentes antioxidantes para proteção cerebral

💡 Pequenas mudanças na alimentação podem trazer grandes benefícios para o desenvolvimento e qualidade de vida da pessoa autista!

🔍 Saiba mais em:
🌐 Site: www.okemhealth.com
📝 Blog: www.okemhealth.blogspot.com
📞 Contato: (21) 97043-8072
📍 Local: Nova Iguaçu/RJ
📷 Instagram: @draemanoelefreitas

#Autismo #Ortomolecular #Neurodesenvolvimento #SaúdeIntestinal #TEA #BemEstar #NutriçãoEComportamento #EquilíbrioMetabólico

quarta-feira, 12 de março de 2025

LIVRO GUIA DO AUTISMO

💥Pré-Venda💥  *Lançamento*

*Organização-Fátima Alves*:

📘O Livro "Guia de Autismo"!💙

*Este livro é uma obra completa e abrangente sobre o autismo, com contribuições de especialistas em diferentes áreas. Aqui estão os detalhes:*

👍De R$ 98,00 POR R$ 47,00🤝

📫Frete do correio grátis

📲Pedidos Whatsapp 21-98315-0204 Leandro 

📌Livro chega da gráfica 27/03/2025 começa as postagens no correio 

❇️Capítulos

✅1. *A Aprendizagem da Rotina Pedagógica em Dois Passos*: Conservação Emocional e Desenvolvimento de Autonomia para as Crianças com TEA (Andreia Luana de Jesus Martins)

✅2. *Funções Executivas e Contribuições Motoras em Crianças com o Transtorno do Espectro Autista* (Cristiane Nery Martins)

✅3. *Alfabetização de Alunos com Transtorno do Espectro Autista* (Dayse Serra)

✅4. *O Uso de Psicofármacos é Necessário no Transtorno do Espectro Autista, Quando?* (Emanoele Freitas)

✅5. *Autismo, Escolarização e Afetividade* (Eugênio Cunha)

✅6. *Afetividade Genuína no Autismo: Um Caminho e uma Conexão Além do Abraço* (Felipe Augusto de Lima Barbosa)

✅7. *Exercício Físico na Promoção de Saúde e Qualidade de Vida em Pessoas com TEA e seus Familiares* (Carlos Eduardo Lima Monteiro)

✅8. *A Estranha das Escolas Típicas* (Letícia Mariana)

✅9. *A Inclusão de Dois Autistas em uma Escola Regular de Ensino Médio Pós-Pandemia e Afastamento Social* (Michele Joia da Silva)

✅10. *A Importância do Psicomotricista na Avaliação Multidisciplinar no TEA* (Noboru Ito Júnior)

✅11. *Alterações Motoras no Transtorno do Espectro Autista e Bases Psicomotoras Envolvidas* (Tarita Inoue Oliveira Garcia)

✅12. *A Disponibilidade Psicomotora das Famílias Atípicas* (Carla Carolina Signes et al.)

✅13. *TEA: O Diálogo Tônico no Lúdico Psicomotor* (Valeria Priscila de Oliveira)

✅14. *O Impacto Positivo da Estimulação Psicomotora Precoce em Crianças Diagnosticadas com TEA na Primeira Infância* (Vitor Aguiar)

📌Público-Alvo

🎯- *Profissionais da saúde e educação*: Psicólogos, Psiquiatras, Educadores, Psicopedagogos, Terapeutas, Neuropsicopedagogos, Fonoaudiólogos, professores e outros profissionais que trabalham com crianças e adultos com autismo.
🎯- *Famílias e cuidadores*: Pais, mães, cuidadores e outros familiares que desejam entender melhor o autismo e como ajudar seus entes queridos.

👇Conclusão
*O Livro "Guia de Autismo" é uma obra completa e abrangente que visa fornecer conhecimentos e habilidades para profissionais e famílias que trabalham com crianças e adultos com autismo. Com seus 14 capítulos, o livro aborda diferentes aspectos do autismo, desde a aprendizagem e o desenvolvimento até a inclusão e a afetividade.*
Dra. Emanoele Freitas